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novembro 10, 2004
Duro na queda
Agachados atrás de uma mesa virada em um canto escuro de um quarto de hospital coberto de sangue, cacos de vidro e cartuchos de espingarda vazios, três homens vestidos de enfermeiros empapados de suor respiram lentamente enquanto tentam ouvir alguma coisa. O único ruído é o zunido elétrico da lâmpada fluorescente de um abajur caído ao lado da maca, que agora está tombada, como a mesa. A luz cria um efeito quase estroboscópico no quarto, a intervalos irregulares, intercalados pelas luzes das sirenes dos carros de polícia do lado de fora. Atrás da maca, alguma coisa quase humana também espera, agachada e pronta para o bote, olhos vermelhos reluzindo na escuridão. Um dos enfermeiros vence o medo e estica uma cabeça para tentar enxergar melhor a maca. Um grunhido baixo o faz voltar rapidamente a posição original, praguejando em ídiche.
- Quem ia pensar hein? Isso está tomando mais tempo do que pensava.
- Calaboca Jacó. Nós somos oficiais treinados, o melhor serviço secreto do mundo. Ele tem três vezes a sua idade...
- Mas a quanto tempo estamos aqui? Quatro dias? Cinco? Eu nem sei mais, já perdi completamente a noção. Quanto tempo esse desgraçado aguenta ficar sem comer?
- Bom, ele comeu o Jerry...
- Calaboca Jacó. Genug! Vocês parecem duas moças!
- É, não foi você que perdeu um olho.
- Você tem outro, não é o suficiente?
- Eu queria falar com minha mãe, tinha tanta coisa que eu podia dizer pra ela...
- CALABOCA JACÓ. Isso já foi longe demais. Essa palhaçada acaba agora. Você pega as injeções. Eu vou usar essa perna de mesa aqui, já que minha faca está cheia de marcas de dentes. Jacó, você pega aquele machado ali... Jacó? Porra, Jacó, volta pra cá agora. E que cheiro é esse?
- Ah, não, seu shmuck!
- Foi sem querer! Eu só quero falar com a minha mãe, eu juro, eu daria tudo por um minuto com ela agora!
- Ora seu... ok... Jacó, fica um pouco mais longe e usa o machado. Vamos lá, no três. Um. Dois. Três.
Os três pulam de trás da proteção improvisada, gritando palavras de ordem em ídiche e brandindo suas armas. Um deles tenta fugir pela esquerda, mas é puxado pelo líder para a formação de ataque. De trás da maca, a criatura ataca, rapidamente e sem piedade.
- LIBERDADE PARA A PALESTINAAAAAIIIEEEERGGGGH.
- Em memória de Yasser Arafat
Posted by Tiago Teixeira at novembro 10, 2004 07:07 PM
Comments
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Muito bom cara!
Posted by: marano at novembro 13, 2004 08:56 PM
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Posted by: phentermine at agosto 31, 2005 11:43 AM
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