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novembro 17, 2004
Genival, o detetive metrosexual
Uma nova saraivada de balas atingiu o latão de lixo que eu e aquela loura estonteante que estava agarrada em meu braço usavamos como proteção naquela noite quente de São Francisco. Houve um silêncio tenso enquanto o gel do meu topete escorria lentamente pelo lado do meu rosto.
- Oh my God, Genival, nós vamos morrer, faça alguma coisa! - ela disse, começando a soluçar.
- Você amarrotar a minha camisa tudo bem, mas se você sujar meu terno da Prada com essa sua maquiagem de segunda eu juro que vou perder a paciência. E eu prefiro que você me chame de Genny.
- Me desculpe, me desculpe.
O silêncio continuava. Nosso algozes estavam entocados em algum ponto escuro lá na frente. O fedor de pólvora pairava a nossa frente espesso como um hidratante de segunda classe. Daqueles que tem aquela aparência oleosa e demoram para serem absorvidos pela pele. Passei a mão pelo rosto e vi que minha barba já tinha crescido desde a manhã, e com um movimento agil tirei minha navalha do bolso e acertei meu cavanhaque. Primeiro o lado esquerdo e depois o direito.
- Genny, nós vamos morrer! Eu estou ouvindo passos, eles estão em algum lugar atrás de nós! - A sirigaita gritou, me assustando e fazendo com que eu derrubasse meu vidro de loção pós-barba da Natura no meus sapatos Hugo Boss. Aquilo era mais do que eu podia suportar. Agarrei a vadia pelo pescoço. - Mais uma gracinha dessas e eu juro que nunca mais vou lhe dar nenhuma dica de esmalte.
Mas ela tinha razão, era preciso fazer alguma coisa. Saquei de meu coldre de couro legítimo Zara Men minha pistola de calibre de madrepérola, do mesmo tom de minha gravata de seda. Um tiro veio de lugar algum e jogou minha arma longe. A loura procurou alguma coisa em uma bolsa claramente falsificada (esse modelo da Louis Vitton não foi produzido nessa cor, não mesmo meu amigo) e me estendeu uma .22 preta.
- O que você tem na cabeça hein? - Eu disse encostando a arma na gravata e mostrando a diferença de cor. - Você é daltônica, porra?
Eu ia começar a explicar pra ela os princípios básicos da combinação de tons pastéis mas fui interrompido por um grito feminino (sem nenhuma classe, aliás). Um dos bandidos havia contornado nosso latão e vinha em nossa direção com uma carabina. Eu estava desarmado e tive que apelar para um golpe sujo que aprendi durante o caso do Cachecol Cotelê da Coréia:
- Ei, marginal, quer conversar comigo sobre essa pochete?
Posted by Tiago Teixeira at novembro 17, 2004 05:08 PM
Comments
foda sua historinha
adorei
hihihihihi
Posted by: fernanda at novembro 20, 2004 12:14 AM
mas ein tiago, o que é ser metrosexual????
Posted by: fernanda at novembro 20, 2004 12:38 AM
believe me, o "pattern recognition", do gibson, tem muito disso...
a mina tem alergia a marcas... e tem ESPASMOS quando ve o bonequinho da michelin...
que merda de mundo de mortes simbolicas, nao?
Posted by: nicholas at novembro 22, 2004 12:04 PM
diamonds By the principle of utility is meant that principle which approves or disapproves of every action whatsoever, according to the tendency it appears to have to augment or diminish the happiness of the party whose interest is in question: or, what is the same thing in other words to promote or to oppose that happiness.
Posted by: diamonds at agosto 31, 2005 01:38 PM