novembro 29, 2004
Bang! Bang! Bang!

Até a vida mais miserável é melhor do que uma existência protegida em uma sociedade organizada aonde tudo é calculado e perfeito.
Posted by Tiago Teixeira at 03:27 PM | Comments (2)
novembro 26, 2004
A verdade nua
Papai Noel assalta banco e morre em tiroteio
Agora você já sabe como esse velho maroto comprava os presentes.
Posted by Tiago Teixeira at 07:05 PM | Comments (1)
novembro 24, 2004
Dois pesos, duas medidas.
Vejam as mulheres. Uma rapariga está com TPM, um caso clássico. Xinga, esperneia, se debate, tem crises monumentais, e a nossa raça oprimida dos homens tem que assistir aquilo tudo e achar muito bonito, ser legal e compreensivo. Ou então ela vai se aproximando dos 30, o relógio biológico movido a estrogênio começa a badalar, todas as crianças começam a parecer lindas, fofinhas e pronto, elas querem ter um filho de qualquer jeito. Isso é lindo, maravilhoso, um sopro divino, o instinto materno que brota no seio da fêmea, a vontade de colocar no mundo um ser vivo que saiu de dentro de você (os vermes e parasitas em geral estão excluídos).
Agora quando o homem atende ao chamado da natureza e passa a querer, como diria Frank, personagem de Dennis Hopper na obra-oprima ´O Veludo Azul´ - FUCK ANYTHING THAT MOOOOVES! - ele é tachado de canalha, de agir contra a instituição sagrada da família, é um galinha, escrotalhaço, feio, bobo, cabeça de melão.
E os hormônios, porra? Agora ninguém lembra deles né. Se os homens andassem por aí querendo expelir crianças iam ser muito mais bem vistos no socaite.
Posted by Tiago Teixeira at 03:28 PM | Comments (5)
novembro 18, 2004
Shut up and escreve.
"[Brian] De Palma? Ehhhhh. Os atores? Ehhhhh. Josh Hartnett como Bucky Bleichert. Ele é bonito demais pra viver. E essa garotinha atriz estúpida, Scarlett Johansson como Kay Lake, é muito novinha"
James Ellroy não entende nada de cinema, como se pode ver nesse comentário sobre a adaptação da sua obra-prima "A Dália Negra", mas sabe como ser escroto como ninguém e temos que respeitá-lo por isso.
Posted by Tiago Teixeira at 09:36 AM | Comments (4)
novembro 17, 2004
Genival, o detetive metrosexual
Uma nova saraivada de balas atingiu o latão de lixo que eu e aquela loura estonteante que estava agarrada em meu braço usavamos como proteção naquela noite quente de São Francisco. Houve um silêncio tenso enquanto o gel do meu topete escorria lentamente pelo lado do meu rosto.
- Oh my God, Genival, nós vamos morrer, faça alguma coisa! - ela disse, começando a soluçar.
- Você amarrotar a minha camisa tudo bem, mas se você sujar meu terno da Prada com essa sua maquiagem de segunda eu juro que vou perder a paciência. E eu prefiro que você me chame de Genny.
- Me desculpe, me desculpe.
O silêncio continuava. Nosso algozes estavam entocados em algum ponto escuro lá na frente. O fedor de pólvora pairava a nossa frente espesso como um hidratante de segunda classe. Daqueles que tem aquela aparência oleosa e demoram para serem absorvidos pela pele. Passei a mão pelo rosto e vi que minha barba já tinha crescido desde a manhã, e com um movimento agil tirei minha navalha do bolso e acertei meu cavanhaque. Primeiro o lado esquerdo e depois o direito.
- Genny, nós vamos morrer! Eu estou ouvindo passos, eles estão em algum lugar atrás de nós! - A sirigaita gritou, me assustando e fazendo com que eu derrubasse meu vidro de loção pós-barba da Natura no meus sapatos Hugo Boss. Aquilo era mais do que eu podia suportar. Agarrei a vadia pelo pescoço. - Mais uma gracinha dessas e eu juro que nunca mais vou lhe dar nenhuma dica de esmalte.
Mas ela tinha razão, era preciso fazer alguma coisa. Saquei de meu coldre de couro legítimo Zara Men minha pistola de calibre de madrepérola, do mesmo tom de minha gravata de seda. Um tiro veio de lugar algum e jogou minha arma longe. A loura procurou alguma coisa em uma bolsa claramente falsificada (esse modelo da Louis Vitton não foi produzido nessa cor, não mesmo meu amigo) e me estendeu uma .22 preta.
- O que você tem na cabeça hein? - Eu disse encostando a arma na gravata e mostrando a diferença de cor. - Você é daltônica, porra?
Eu ia começar a explicar pra ela os princípios básicos da combinação de tons pastéis mas fui interrompido por um grito feminino (sem nenhuma classe, aliás). Um dos bandidos havia contornado nosso latão e vinha em nossa direção com uma carabina. Eu estava desarmado e tive que apelar para um golpe sujo que aprendi durante o caso do Cachecol Cotelê da Coréia:
- Ei, marginal, quer conversar comigo sobre essa pochete?
Posted by Tiago Teixeira at 05:08 PM | Comments (4)
Como atravessar a rua - Apêndice III - A terceira Idade
1) Pare na calçada longe da faixa de pedestres.
2) Olhe para os lados parecendo confuso e indeciso enquanto o sinal está verde para você atravessar.
3) Quando o sinal começar a piscar, indicando que está prestes a abrir, começe a atravessar.
4) Ande em sua velocidade de cruzeiro normal.
5) Mexa os braços como se estivesse correndo.
6) Faça uma cara compenetrada e olhe para frente como se não existisse uma fileira de motoristas furiosos esperando o fim do seu passeio.
7) Se alguém buzinar, pegue o primeiro transeunte incauto e faça a conversse durante 10 minutos sobre a condição do idoso no Brasil, a crise da previdência e a última doença que você teve.
Posted by Tiago Teixeira at 03:38 PM | Comments (2)
novembro 10, 2004
Duro na queda
Agachados atrás de uma mesa virada em um canto escuro de um quarto de hospital coberto de sangue, cacos de vidro e cartuchos de espingarda vazios, três homens vestidos de enfermeiros empapados de suor respiram lentamente enquanto tentam ouvir alguma coisa. O único ruído é o zunido elétrico da lâmpada fluorescente de um abajur caído ao lado da maca, que agora está tombada, como a mesa. A luz cria um efeito quase estroboscópico no quarto, a intervalos irregulares, intercalados pelas luzes das sirenes dos carros de polícia do lado de fora. Atrás da maca, alguma coisa quase humana também espera, agachada e pronta para o bote, olhos vermelhos reluzindo na escuridão. Um dos enfermeiros vence o medo e estica uma cabeça para tentar enxergar melhor a maca. Um grunhido baixo o faz voltar rapidamente a posição original, praguejando em ídiche.
- Quem ia pensar hein? Isso está tomando mais tempo do que pensava.
- Calaboca Jacó. Nós somos oficiais treinados, o melhor serviço secreto do mundo. Ele tem três vezes a sua idade...
- Mas a quanto tempo estamos aqui? Quatro dias? Cinco? Eu nem sei mais, já perdi completamente a noção. Quanto tempo esse desgraçado aguenta ficar sem comer?
- Bom, ele comeu o Jerry...
- Calaboca Jacó. Genug! Vocês parecem duas moças!
- É, não foi você que perdeu um olho.
- Você tem outro, não é o suficiente?
- Eu queria falar com minha mãe, tinha tanta coisa que eu podia dizer pra ela...
- CALABOCA JACÓ. Isso já foi longe demais. Essa palhaçada acaba agora. Você pega as injeções. Eu vou usar essa perna de mesa aqui, já que minha faca está cheia de marcas de dentes. Jacó, você pega aquele machado ali... Jacó? Porra, Jacó, volta pra cá agora. E que cheiro é esse?
- Ah, não, seu shmuck!
- Foi sem querer! Eu só quero falar com a minha mãe, eu juro, eu daria tudo por um minuto com ela agora!
- Ora seu... ok... Jacó, fica um pouco mais longe e usa o machado. Vamos lá, no três. Um. Dois. Três.
Os três pulam de trás da proteção improvisada, gritando palavras de ordem em ídiche e brandindo suas armas. Um deles tenta fugir pela esquerda, mas é puxado pelo líder para a formação de ataque. De trás da maca, a criatura ataca, rapidamente e sem piedade.
- LIBERDADE PARA A PALESTINAAAAAIIIEEEERGGGGH.
- Em memória de Yasser Arafat
Posted by Tiago Teixeira at 07:07 PM | Comments (3)
Eulália
Eulália, uma senhora idosa, mora sozinha em um apartamento em São Paulo. Solitária e amargurada, seu único amigo é um gato, de quem cuida como o filho que nunca teve. Como sua aposentadoria advinda da pensão do falecido marido não permitia que ela pagasse o aluguel, ela resolve alugar um quarto. É quando conhece sua nova inquilina, uma jovem chamada Nina.
Nina torna a vida de Eulália um inferno. Um poço de boçalidade e despreparo, ela não paga o aluguel porque simplesmente não consegue se manter em um emprego, nem em ocupações tão simples e isentas de responsabilidade como a de garçonete. Seus pais enviam algum dinheiro para ajudar, mas ela gasta a mesada em drogas e noitadas com seus amigos clubbers com cara de mau que ainda vivem estilisticamente no início dos anos 90. Eulália começa a tratar Nina com dureza, ela por sua vez, começa a considerar a senhora a fonte de todos seus problemas.
Após meses sem receber um aluguel de Nina, Eulália toma uma atitude drástica e tranca a geladeira. Nina só poderia comer o que pagasse. O que não é muita coisa, já que ela não procura uma ocupação, não controla suas economias e mesmo quando está mais desesperada recusa uma proposta de dançar em uma boate, preferindo assaltar e depredar a casa de um homem cego, coisa muito mais digna. Não que ela consiga manter esse dinheiro que roubou, porque no caminho de casa paga o taxi para uma prostituta que estava prestes a ser espancada pelo motorista (a clássica boçal de bom coração). A prosituta, alias, é Renata Sorrah. Explico: parte da debilidade mental da personagem se manifesta em alucinações aonde ela vê o rosto de celebridades projetados em pessoas sem importância narrativa. Dessa maneira ela tem a impressão de que sua vida é um lugar cheio de participações especiais que se não tem sentido algum pelo menos a deixam se achando zuper chique.
Para Nina, Eulália é a culpada por sua falta de dinheiro, por sua incapacidade social, pelo furo na camada de ozônio e pela morte da princesa Diana. Ela solta o único companheiro de Eulália no centro da cidade, aonde ele provavelmente vai morrer de fome, atropelado ou morto com crueldade por alguma criança de rua. Sem saída, Eulália resolve guardar para si a mesada de Nina para este mês, já que não tinha mais como manter aquela pessoa ali de graça (quem tem pena é galinha e quem filho barbado é gato). Nina se revolta ainda mais quando descobre que Eulália está tentando alugar seu apartamento para um rapaz com aparência responsável que provavelmente vai pagar o aluguel em dia.
Eulália, indefesa contra Nina, é finalmente morta, sufocada por um saco plástico. Claro que Nina tem uma justificativa Raskolnikoviana pro crime, mas no fundo ela só queria uma vida sem aluguel. Os restos mortais de Eulália ficam por dias estirados no chão de sua casa, lugar aonde morou por mais de 40 anos e aonde passou os momentos mais felizes de sua vida. Perdão, isso foi um sonho da inquilina. Eulália infarta depois de discutir com sua algoz e só então passa dias jogada no châo como um saco de batatas. A assassina por omissão de socorro fica com o apartamento e vive feliz para sempre. Eulália, como se podia esperar, fica um pouco chateada. Dostoievski também, mas eu não consegui entender o que ele resmungou por causa de toda aquela terra que jogaram em cima do conjugado aonde ele mora hoje. A acústica de lá é horrível e o meu russo anda enferrujado.
Posted by Tiago Teixeira at 02:34 PM | Comments (8)
Boing Boom Tchack
Sábado eu paguei 40 reais (com carteira de estudante) para ver quatro velhinhos vestidos vestindo ternos com gravatas que pareciam decoração de natal ficarem duas horas de pé, parados cada um em frente a um laptop enquanto algumas projeções de vídeo passavam no telão atrás.
Valeu cada centavo.
Posted by Tiago Teixeira at 02:10 PM | Comments (2)
novembro 09, 2004
Subindo nas tamancas.
— Presumivelmente, foi um esbarrão, mas não senti esse esbarrão. Não tenho meios de saber por que o acadêmico Eduardo Portella tentou me agredir pelas costas. Me virei, ele agarrou minha camisa, dizendo qualquer coisa que eu era um poeta de quinta categoria. Eu, então, disse que ele não valia nada e usei uma expressão excrementista, de que ele era um bosta. E aí, joguei Coca-cola na cara dele. Dei um banho naquela cabeleira obscena e naquela cara cheia de botox — relatou o acadêmico.
Quem disse que a Academia Brasileira de Letras é um lugar tedioso onde o evento máximo é o chá das cinco? Toda a verdade, aqui.
Posted by Tiago Teixeira at 10:53 AM | Comments (4)
Bar Arnal, 21:25.
Perto da minha casa tem um boteco chamado ´Bar Arnal´. Minha primeira teoria é que o ´do´ teria caído do fim do letreiro, mas já examinei o dito cujo e não encontrei espaço para as duas letras que deveriam estar no fim do nome. Que seja. Ontem, no bar Arnal, uns quinze bêbados contumazes escolhidos entre a nata da boemia classe D e E de Laranjeiras estavam parados, cada qual com sua cerveja em cima do balcão, olhando fixamente para a tv que fica em cima da porta. Eu, debaixo dela, fiz minhas compras (eu sou um bêbado contumaz que prefere o aconchego do meu lar) e depois de finalizado o processo percebi que nesse espaço de tempo nenhum dos pudins de cachaça havia proferido nenhum impropério, comentado sobre nenhuma mulher da rua ou reclamado da temperatura da cerveja. Estavam rijos olhando para a caixa preta em cima de mim.
Aquele silêncio começou a me incomodar e me virei procurando encontrar algum momento decisivo de uma partida de futebol obscura. Mas o que passava na tv era o programa da Hebe. A apresentadora comentava um número complexo de coreografia representado por algumas dezenas de crianças chinesas com vestidos típicos. Peguei minhas compras e fui embora, procurando não pensar muito sobre o assunto.
Posted by Tiago Teixeira at 10:36 AM | Comments (15)
novembro 05, 2004
Como sobreviver financeiramente no mundo moderno
Existem aproximadamente 5320 corcundas na área metropolitana do Rio de Janeiro. De acordo com uma superstição antiga, ver um corcunda pela manhã é sinal de boa sorte. Organize um banco de dados com endereço e horário de trabalho (ou passeio matinal) dos corcundas da cidade. Venda aos interessados, informações que permitam ao cliente cruzar casualmente com um corcunda no caminho para o trabalho todos os dias pela manhã. Investimento baixo e lucro rápido.
Posted by Tiago Teixeira at 05:03 PM | Comments (5)