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julho 12, 2005

Borges / Casares / Robbe Grillet

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Eu não lembro exatamente quando comecei a ler Borges, eu era moleque e tinha lido alguma coisa sobre escritores de realismo fantástico. Se eu não me engano eram citados o ceguinho Argentino e o Italo Calvino. O Italo Calvino eu só cheguei a ler poucos anos atrás, achei legal, dei uns tapinhas na cabeça dele como agradecimento e deixei de lado. Já o Borges virou um dos meus escritores favoritos, culpa do 'Ficções', meu primeiro livro do homem (editora globo, uma edição horrorosa de capa preta com uns riscos cinzas, boa pra se vender em bancas de jornal) que até hoje ainda acho uns dos melhores que já li.

Borges e Bioy Casares eram amiguinhos, saiam de noite pra tocar o terror em Buenos Aires, tentando seduzir as bibliotecárias e indo aos domingos nos zoológicos ver os tigres. Já tinha lido um livrinho divertidíssimo dos dois, com o detetive encarcerado Dom Isidoro Parodi (edição de bolso bem cuidadíssima da Dantes) que lembrava muito o Padre Brown do Chesterton, de quem Borges era fã assumido.

Então eu estou aqui no centro do Rio de Janeiro e entro na Beringela outro dia pra gastar meu dinheiro ganho as custas de muita LER, dor nas costas e olheiras em livros velhos. Acabo saindo com 'A Máquina Fantástica' do Casares, 'Encontro em Honk Kong' do Robbe Grillet, roteirista do Ano Passado em Mariembad do Alain Resnais e "Onda de Crimes" do James Ellroy. Ai meu deuso, quantos nomes, que loucura, parece uma lista telefônica, afe.

Eu nunca tinha lido nada do Grillet, mas tinha me interessado depois de ler uma entrevista do Resnais dizendo porque tinha chamado ele pra escrever seu filme mais conhecido patati patata. Escolhi começar pelo livrinho do Casares, que a partir de agora vou chamar pelo nome verdadeiro - "A Invençao de Morel" - tendo em vista que as edições atuais brasileiras já se redimiram desse erro.

No prólogo dessa edição, de setenta e poucos e que me pareceu ser do Círculo do Livro, Borges fala sobre como considerava a trama de Casares perfeita. E como que hoje em dia uma trama bem feita era injustamente considerada truque de prestidigitação e que somente os romances inteiramente psicológicos são considerados dignos de mérito. Isso não tem nada a ver com nada, mas eu achei legal botar aqui porque ainda acho uma acusação super atual, principalmente na tv e no cinema. Vamos refletir sobre isso um minuto. Pronto, continuemos.

"A Invenção de Morel" é bem escrito e estiloso, apresenta umas idéias muito interessantes e é bem humano e sensível pra quem dá um bocejo quando se fala em Realismo Fantástico. Por isso deveria ser comprado pela sua pessoa sem pestanejar se vocês se esbarrarem em um canto empoeirado de um sebo qualquer. Pois bem, em sem fim, uma nota sobre o autor comentava como que essa história havia inspirado... Alain Robbe Grillet a escrever "O Ano Passado em Mariembad" ! Nesse momento eu fiz assim, ó: _oh.gif


E percebi que realmente o filme tinha muito a ver com o livro, a relação do(s) protagonista(s) com uma realidade fora do tempo que só permite que ele seja um espectador. Aí pensei - Menino, essa coisa de sincronicidade é incrível. Estou diante de um sinal divino. - De imediato comecei a ler "Encontro em Honk Kong" (porque Deus quis assim) e estou adorando. É uma narrativa feita de sensações e devia ser lido por todo mundo que curte cinema, principalmente o não-narrativo.

Espero ansiosamente chegar no fim do livro e encontrar uma conexão entre Grillet e os assassinatos dos anos 90 em Los Angeles que James Ellroy relata em 'Onda de Crimes'. Aí sim quero ver esse negócio de sincronicidade funcionar.

P.S.: A quem importa tudo isso? Ninguém, mas o blog é meu e eu escrevo o que eu quiser. HA! Apanhei-te cavaquinho!

Posted by Tiago Teixeira at julho 12, 2005 03:44 PM

Comments

Quem fica em mesa de bar com vc, se importa. Não há como escapar.

Posted by: AnaQ at julho 12, 2005 05:28 PM

Você pode sempre se esconder debaixo da mesa ora bolas!

Posted by: Tiago Teixeira at julho 12, 2005 05:31 PM

phentermine In passing from history to nature, myth acts economically: it abolishes the complexity of human acts, it gives them the simplicity of essences, it does away with all dialectics, with any going back beyond what is immediately visible, it organizes a world which is without contradictions because it is without depth, a world wide open and wallowing in the evident, it establishes a blissful clarity: things appear to mean something by themselves.

Posted by: phentermine at setembro 3, 2005 10:32 PM

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