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setembro 23, 2005
TT no festival no Rio - Parte 1
Esse pode ser o momento de vocês, meus amiguinhos peregrinos, de apreciar um post com o mínimo de coesão mental. Porque a partir de hoje, 19:00 da noite, começa a MARATONA TT NO FESTIVAL DO RIO. O que apesar de divertido sempre acaba trazendo danos irreversíveis para minha mente afiada e meu corpo apolíneo.
Antes disso, vamos falar um pouco sobre o único filme que eu assisti na cabine de imprensa do festival, o dinamarquês 'Acusado'. Por 'falar um pouco' eu quero dizer 'Reclamar, apontar coisas legais, coisas ruins, e basicamente estragar o filme para alguém que ainda não teve a chance de assistir'. Então fiquem ligados. Aham.

O pobre Acusado - Troels Lyby em uma atuação legal que na maior parte do tempo é baseada apenas em olhares mudos - conta a história de um homem que é acusado de incesto pela filha. Enviado para a prisão, humilhado (no sentido dinamarques de humilhação. Se fosse no Brasil ele teria sido humilhado no sentido terceiromundista, aonde o buraco - ui - é muito mais embaixo.), visto com maus olhos pelos amigos e colegas de trabalho, o sujeito é destruído por um crime que alega não ter cometido.
Seguimos a história pelo ângulo do pai acusado, que é apresentado em pequenas cenas de seu dia-a-dia em uma fotografia cuidadosa e um trabalho de som que criam uma atmosfera introspectiva muito interessante. A estrutura do filme é muito parecida com o 'O Homem Errado' do Hitchcock, inclusive se eu não me engano existem um ou dois planos idênticos ao filme na sequência aonde ele é levado para o xilindró. E é claro, a famosa cena do preso medindo o comprimento da cela com seus passos.
Dessa vez no entanto o acusado é rapidamente absolvido de seu crime, mas isso não impede a sociedade de o transformar em um pária. Eu estava mesmo achando que o filme era sobre isso, sobre como o mundo é injusto com um sujeito que foi só acusado de um ato terrível, que não foi mesmo condenado.
Outra questão levantada no filme é a relutância do pai em aceitar de volta a filha que o mandou pra cadeia, enquanto sua esposa argumenta que os pais devem perdoar tudo, etc, etc. O que eu também achei instigante. Olha, um adjetivo novo nesse blog.
Eis que, nos últimos dez minutos, o filme vira uma besteirada só. A reviravolta óbvia da trama faz com que o filme fique subtamente a favor do tratamento recebido pelo pai incestuoso. Não sou eu que diz isso, são os personagens:
PAI INCESTUOSO: Mas você não pode me denunciar! Eu não posso ser preso! Eles vão me bater, vão cuspira na minha comida!
MÃE REVOLTADA: Vão sim. E não sou que vou ligar para a polícia, você vai se entregar.
Deixa eu ver se entendi. Esse tratamento deshumano subitamente se torna não só aceitável como algo que deve ser desejado pelo criminoso, para se curar de seus pecados. Depois disso temos uma cena constrangedora: Babai pedófilo se arrasta pela rua, tendo um colapso nervoso e pede ajuda para as crianças - Chamem um adulto! - As crianças ignoram o pedido e vão embora lentamente. É a vingança das criancinhas contra o esquisitão comunista!
Ora, faça-me o favor.
Posted by Tiago Teixeira at setembro 23, 2005 06:13 PM
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Posted by: news at outubro 5, 2005 10:40 AM