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outubro 07, 2005

Eu sou o Zé Pilintra

Morar perto de um centro espírita é só diversão. Nos dias de culto, além de ouvir um batuque melhor que qualquer Timbalada você ainda pode se deliciar com a multidão de pessoas que infestam a rua, fazendo uma fila enquanto esperam para o atendimento e gerando um mercado informal que movimenta milhões de reais em coca-colas e mineirinhos vendidos diretamente de um isopor geladinho. É o equivalente de uma feira livre, mas com uma trilha sonora melhor. Ah, sim: A fila que eles fazem desafia todas as leis da convivência social, e ao invés de disputar a calçada de um metro com os transeuntes, toma rumos revolucionários e se posiciona no meio da rua. Literalmente. Os motoristas sempre diminuem e esperam os fiéis sairem da frente lentamente, com olhares de ódio sublimado atirando raiozinhos que nem em quadrinhos antigos. Ninguém tem a coragem necessária para atropelar um deles. Afinal, eles estão na frente de um centro espírita.

O centro espírita fica ao lado do necrotério de um hospital. O que deve ser um inferno pra eles. O cara morre, está lá curtindo o geladinho da sua gaveta mortuária, aquele barato maneiro do formol, quando começa a ouvir aquele batuque vindo da casa ao lado. Porra? Até aqui? Bater com sua vassoura ectoplásmica contra a parede não parece resolver o problema. Dona Josefa, morta há dois dias, se levanta com aquela camisola de bolinha e bate na gaveta do defundo revoltado - Meu filho, não adianta. Essa gente não se emenda. Ficam aí bebendo, dançando e usando tóxico. Um horror, o mundo está perdido, ai meu Deus e a caristia? - Resignado, o falecido se dá por vencido e tenta se juntar a festa. É discriminado porque está vestindo uma camisola de hospital e não sabe dançar. E os desgraçados nem provaram os risoles que ele levou.

Mas a diversão não se resume aos dias de culto. Ontem mesmo, saindo de casa para mais um dia de trabalho, avistei de longe uma senhora de uns 50 anos ajoelhada na frente do degra na entrada do lugar. Como eu já disse, a calçada tem um metro e eu não tinha outra escolha senão passar a poucos centímetros da beata. Foi impossível não perceber o que ela estava fazendo: Indo para frente e para trás, batendo com as palmas da mão no degrau e gritando "EU SOU O ZÉ PILINTRA! EU SOU O ZÉ PILINTRA! EU SOU O ZÉ PILINTRA!".

Engraçado, eu achava que ele era mais alto.

Posted by Tiago Teixeira at 12:20 PM | Comments (2)

outubro 06, 2005

Mais diversão no seu dia a dia

TT propõe um novo jogo para vocês. Andando pelas ruas de qualquer cidade grande, começe a contar de um a dez. Cada vez que você travar contato visual com alguma peça publicitária de qualquer tipo, volte pro um. Quem chegar no dez primeiro ganha.

Posted by Tiago Teixeira at 11:59 AM | Comments (1)

outubro 05, 2005

TT no festival do Rio - parte 5

O ânimo e a energia vital vão diminuindo, minadas pela má alimentação, fadiga e uma semana de provas. Apesar disso, a saideira:

Café Lumiere
Belo filme, feito de pedacinhos singelos da vida de seus personagens com uma delicadeza impressionante. Mas esse eu já esperava que fosse bom e não fiquei supreso.

Crime Delicado
Beto Brant dá uma virada de 360o e faz um filme completamente diferente dos anteriores, no bom sentido. Eu gosto dos anteriores também (menos Ação entre amigos), fique claro. Ótima surpresa. Mas queria deixar aqui registrado que eu acho muito chato ficar botando personalidades (ou semi personalidades) amiguinhas em pontas. É pessoal mesmo.

Cinema, aspirinas e urubus
Eu não esperava nada e sai do cinema impressionado no bom sentido. Buddy road movie no sertão sem aquelas coisas "AH! Mais olha o povo que pobrezinho! Como eles sofrem bonitinho! Olha que rugas mais intrincadas, deixa eu dar um close." Enfim, aquele SebastiãoSalgadismo todo. Segunda surpresa do dia.

E por enquanto é só. Perdi Wayward Cloud e Seven Swords e resolvi baixar os dois no emule. Acho que vou ver o 2046 na repescagem se tiver saco. Eu já baixei ele também, mas porra, Wong Kar Wai é pra ver no telão.

Posted by Tiago Teixeira at 06:59 PM | Comments (0)

outubro 04, 2005

Para o alto e avante!

Segundo a Associated Press, Nicolas Cage deu o nome de seu novo filho de Kal-el.

A esposa do ator, Alice Kim Cage, teve o menino ontem em Nova York. O nome completo do garoto é Kal-el Coppola Cage. O "Cage", vale lembrar, também é uma homenagem. O sobrinho de Francis Ford não queria ser conhecido pelo famoso sobrenome Coppola e adotou o nome do super-herói de aluguel da Marvel Comics.

É aquilo né. Se você achava bizarro o sujeito ter adotado o nome de um super-herói, o que achar de ter posto dois no filho?

Posted by Tiago Teixeira at 12:03 PM | Comments (0)

outubro 03, 2005

Da espuma do mar para Krypton

_supermangrant2.jpg

O Super-homem é um daqueles personagens que eu gosto mais pelo seu lado icônico do que pelas histórias em si. Mesmo porque a maioria delas, se o gato ver, enterra (Salvo, claro, raríssimas excessões, como a Red Son do espertíssimo Mark Millar). A DC comics, em uma de suas inúmeras iniciativas atuais para renovar seu panteão de heróis, criou a linha All-star. Nesses gibis, os personagens mais conhecidos da editora participam de histórias desligadas da cronologia normal dos títulos, dando a possíbilidade de alguém que não leu 40 anos de Batman, por exemplo, poder compreender tudo sem problema.

O All-star do nome não é sem propósito. A primeira revista da linha trouxe uma equipe formada por Frank Miller e Jim Lee. Eu nem curto muito o Jim Lee, mas whatever. Os dois são considerados os melhores naquilo que fazem, e realmente o novo enfoque que Miller deu pro homem morcego é realmente perturbador e instigante.

A segunda leva uniu Grant Morrison e Frank Quitely. Novamente, os melhores do ramo. Frank Quitely, principalmente, é um dos meus ilustradores favoritos e depois de ver coisas como We3 eu estou muito apreensivo em ver o resultado disso. Mesmo porque Morrison é um dos escritores que entende o Azulão como essa entidade bigger than life que ele é nos quadrinhos e o ícone arquetípico que ele se tornou na cultura ocidental.

Vejam por exemplo essa prévia. Só mesmo esses dois fdps para fazerem uma primeira página tão poética, sucinta e perfeita. A origem do super homem em 1 página, 4 quadrinhos, 8 palavras.

_supermangrant.jpg

Isso aí é praticamente o equivalente do Nascimento de Venus de Botticelli em forma de gibi. Não, não é exagero.

Em português:
"Planeta condenado."
"Cientistas desesperados."
"Última esperança."
"Casal gentil."

Posted by Tiago Teixeira at 01:02 PM | Comments (0)