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29.06.04 // I´m... Invincible

Mark é mais um adolescente americano cursando a high school. Dessa vez nosso herói é até bem integrado, tem amigos, uma vida social e não tira as melhores notas do mundo.Ele não é espinhento, não tem problemas com as garotas e nem é espancado regularmente pelos bullies da escola. Não, ele também nunca inventou nenhum composto químico super adesivo ou esteve exposto a insetos radioativos.

Certo dia, na saída de seu emprego de McEscravo, o rapazote percebe algo de estranho quando vai jogar o lixo fora e a sacola aterrisa a alguns quilômetros de distância. Para tirar a prova, vai até uma janela no segundo andar da casa de subúrbio aonde mora com seus pais e se joga lá de cima. Ao invés de cair, ele flutua no ar. - Uhu! Até que enfim! - No jantar, ele dá a notícia a seus pais, que os dão os parabéns enquanto pedem pra ele passar as batatas. Por favor.

Ok, emiti um dado importante. Mark o primogênito de OmniMan, o super herói mais poderoso da terra. OminiMan é um alienígena naturalizado americano, voador, invulnerável e com uma força quase ilimitada. Ele faz parte de uma super equipe subsidiada pelo governo americano que defende o planeta contra ameaças variadas. Mas não precisa se sinta esperto por ter percebido as referências, elas são um tanto quanto óbvias e não são nem de longe o ponto principal dessa história. São mais uma convenção, para nos mostrar que nosso herói vive em um mundo aonde os super heróis são comuns e funcionam da mesma maneira que conhecemos de cor e salteado e dispensa maiores explicações.

Todos sabemos que um dia Mark vai se tornar tão poderoso quanto o pai e eventualmente terá que tomar o seu lugar, mas quais serão as decisões que ele irá ter que tomar no percurso? Como ele vai escolher seu codinome e uniforme? O que fazer quando descobre que a menina que mais lhe interessa na escola também luta contra o crime com direito a um namorado superpoderoso? Será que existe alguma coisa por trás da esquisitice de seu professor de matemática?

Enquanto começa seus primeiros atos heróicos em cenas de ação da melhor qualidade (cortesia do desenhista Corey Walker) nosso herói também tem que lidar com suas tarefas escolares e domésticas e esse contraste é uma das melhores coisas da série. Não é incomum ver sua mãe lhe dando uma chamada porque ele se atrasou para o jantar ou esqueceu de levar o lixo para fora. O cotidiano não super humano de Mark é mostrado como uma sitcom, definida em alguns ambientes fixos e situações recorrentes, como o jantar de todas as noites, a sala de estar onde sua mãe geralmente acompanha o dia de trabalho de seu marido pelos noticiários ou o quarto aonde os dois dormem juntos quando o patriarca não está envolvido em alguma missão de salvamento.

Kirman tem pouca idade até mesmo para um mercado de talentos tão jovens quanto o dos quadrinhos americanos e talvez essa falta de idade o ajude muito na criação de Invincible e de seu mundo, os dois tão conhecidos e originais ao mesmo tempo. E é difícil ver um autor tão despretensioso e genuinamente apaixonado por seus personagens. O desenhista da série, Corey Walker, não é menos impressionante. Dono de um traço limpo e dinâmico, sua influência na hq foi tão grande, que o ilustrador que o substituiu nas últimas edições teve que seguir o mesmo estilo para não descaracterizar o personagem. Invincible, que é uma criação dos dois, é tão dependente de seu estilo gráfico quanto de seu roteiro brilhante. Isso provavelmente é furto da colaboração da dupla em Superpatriot, outro título lançado pela image a alguns anos. Dessa vez eles retomaram a parceira com uma simbiose perfeita.

Aqui no Brasil, para se ter acesso ao trabalho dos dois você precisa saber inglês e encomendar as edições em algum representante da devir ou comprar os paperbacks via internet. Ou ainda, baixar as mesmas em programas como o DC++. Mas se fizer isso e tiver condições de comprar as edições impressas depois, por favor, não de mole não playboy.

04:01 PM | mais Hqs | Comente. (29)


30.03.04 // O Eterno Retorno.

Depois de uma temporada de apostas corajosas na sua linha de hqs que incluiu a transformação da X-force na boy/girl band X-statix, a contratação de Grant Morrison para os New X-men e do enfant terrible Garth Ennis para o Justiceiro, a Marvel está se preparando para dar um salto de 10 anos. Pra trás.

Grant Morrison deixa os homens X esse mês e com sua saída novos times criativos vão assumir a linha. Entre eles, Chris Claremont vai ficar com a capitania de dois títulos. O mesmo Claremont que levou a franquia a seu status de cult nos anos 70/80 e depois se tornou um pastiche de si mesmo. Pra quem conheceu a revista nessa época, deixe eu ilustrar a situação para vocês. Como começa o primeiro roteito escrito por ele nessa nova fase? Acertou quem falou ´uma partida de beisebol entre os membros do grupo aonde em certo momento os jogadores começam a usar seus poderes e tudo descamba para uma grande confusão´. Meu Deus do céu, quantas vezes já vimos isso?

As mudanças mais importantes do grupo incluem a troca dos uniformes de couro altamente contemporâneos por colantes multicoloridos e a transformação dos pupilos do careca mais poderoso do mundo em uma força tarefa para a manutenção da comunidade mutante mundial. De acordo com a cúpula editorial da Marvel, eles estavam com saudades das histórias heróicas e cheias de grandiosismo. E se preparem pra muito mais Wolverine. Em todas as revistas. Em todas as capas. Wolverine, Wolverine, Wolverine. Porque a editora não conhece o conceito de super exposição.

X-statix, por sua vez, tem as vendas diminuindo a cada mês. Para piorar a situação, Rob "113 dentes e 3 bíceps" Liefeld foi contratado para escrever uma mini-série com a encarnação anterior do grupo, a X-force. Sinal de que a batata do ótimo Peter Milligan está assando. Em um forno microondas.

O único que se safou foi Garth Ennis, promovido a linha Max e com libertade criativa quase total. Mas com o vindouro filme do seguidor de Sivuca é possível que decidam torna-lo mais palatável.

O que é bom dura pouco, peregrinos. Vamos ver se a DC aproveita a deixa e pega os talentos que a Marvel está desperdicando.

10:18 AM | mais Hqs | Comente. (22)


25.03.04 // Cidade Partida

Não é a primeira vez que eu descubro alguma coisa legal muito tempo depois dela ter aparecido. Já aconteceu com várias coisas, e agora está acontecendo com a dupla Brian Azarello e Eduardo Riso. Sempre ouvi dizer que o ´100 balas´ era bom, nunca tive saco de ler. O mesmo com o Hellblazer do Azarello. Agora resolvi acreditar em recomendações do gênio Mark Millar e ler o o arco de histórias do Batman produzido pela dupla.

Ele está saindo agora nos EUA, e ocupa as edições 620 a 626 da revista principal do cruzado de capa. A última sai esse mês e se você lê inglês, mas como eu não tem dinheiro pra bancar esse hobbie cada vez mais caro que é a quadrinhofilia, recomendo que baixe o programa DC++ e procure os hubs dedicados a quadrinhos. Você pode encontrar tudo lá. Qualquer coisa. Mas po, se você tem dinheiro compre as revistas. Eu mesmo ainda compro as minhas preferidas. Porque nego ainda precisa receber salário pra trabalhar com isso.

Broken City, basicamente, é a cria maldita de Batman e Sin City. O herói narra em off (e se revela até possuidor de um senso de humor que não mostra por ai para manter a sua reputação) a história de sua busca por Angel Lupo, acusado de assassinar a própria irmã que se torna uma obssessão do herói depois de provocar a morte de um casal na frente de seu filho pequeno, fazendo com que o morcegão pire na batatinha.

A maneira como o Batman está escrita é o equilíbrio perfeito entre o detetive e o psicopata violento que compõe o personagem. O resultado é um vigilante que podia ter sido escrito por Hammet, pai dos romances noir. E Broken City é noir até a medula, desde o nome e passando por todo seu repertório de femmes fatales, becos escuros, nightclubs, heróis que são postos inconscientes e acordam com sede de vingança, diálogos com metáforas rebuscadas e um clima geral de decadência e falta de perspectiva. Em certo momento alguém até chama o protagonista de ´Shamus´, gíria clássica do submundo daonde saiu Philip Marlowe e o Continental OP.

E Eduardo Riso não fica atrás do Azarello não rapaz. Sua arte é sombria, mas com traços leves, e lembra em muitos momentos Frank Miller ou Mike Mignolla com sua escuridão expressionista e cenas de ação impecáveis. Até as capas são ótimas. Não lembro o nome do capista, mas se eu lembrasse ia babar o maior ovo pra ele agora também.

Ou seja, agora eu vou ser obrigado a ler todo o 100 balas, o que vai tomar muito do meu tempo. Além disso vou ter que ler também o Superman do Azarello, que saiu esse mês nos EUA. E mês que vem vai sair o Jhonny Double, da mesma dupla, no Brasil. Vou te dizer, malandro, esse negócio de ler histórias em quadrinho está acabado com minha vida.

05:17 PM | mais Hqs | Comente. (28)


// Duvide-o-dó

Se esse filme novo do Justiceiro vai prestar ninguém sabe. Mas o diretor é novo e apesar dele ter escrito ´O Jovem Indiana Jones´ e escalado o John Travolta como vilão ainda existe esperança. Mas se deu pra perceber alguma coisa legal nos trailers até agora é que o roteiro está usando vários personagens criados por Garth Ennis na primeira fase em que ele escreveu o personagem e quando a hq parecia um filme dos irmãos Marx aonde o protagonista era um carcamano psicótico e armado até os dentes.

Por exemplo, eu quero muito ver é se nego vai ter o culhão necessário pra representar na tela grande o modo como o Justiceiro dá cabo do assassino chamado de Russo. Modo esse que envolve uma morte por sufocamento embaixo de um gordo de 400 quilos. Se dessem pro Robert Rodriguez dirigir eu aposto veriamos essa cena em live action.

Aliás, tem gente que ainda está esperando o post sobre Era uma vez no México. O problema é que eu ainda não consegui escrever nada a altura dessa obra prima. Então segura as varize, camaradinhas.

11:34 AM | mais Hqs | Comente. (32)


26.01.04 // LJA vs. Vingadores #1 e #2

Crossovers em geral são baseados em 3 pontos cruciais de roteiro:

1) Os heróis se encontram e por causa de algum mal-entendido, brigam.
2) Os heróis percebem o erro, se tornam amigos...
3) ... e finalmente se unem para lutar lado a lado contra um inimigo comum.

Com ´JLA vs. Vingadores´ não é diferente. Mas existem dois grandes méritos na mini-série, o primeiro sendo a quebra de uma regrinha muito importante que não foi listada ai em cima: Como existe uma legião de fãs de cada um dos heróis envolvidos na peleja, as lutas sempre devem acabar em um empate. A coisa mais interessante da série talvez seja a quebra desse paradigma. Busiek apresenta os vingadores como um grupo bem menos poderoso que a Liga da Justiça (apesar de mais esforçado), com um Thor que perde uma luta sofrida para o azulão ou um mercúrio revoltado porque o Flash é mais rápido do que ele jamais poderá ser. Se você não acompanha hqs de super-heróis pode achar que isso é uma coisa boba, mas os fanboys vão perceber que alguma coisa muito séria aconteceu ali.

O segundo mérito fica na definição geográfica dos dois universos e em sacadas interessantes como a reação de alguns dos membros dos grupos as novas dimensões e energias de cada realidade. Acho que é a primeira vez que essas diferenças são tão bem detalhadas, e é divertido ver a Liga horrorizada em perceber como que o mundo de seus algozes é muito mais perigoso que o deles e como os EUA são tão menos desenvolvidos por não possuírem nenhuma das cidades imaginárias da DC. Já os Vingadores ficam ressentidos em perceberem como os super-heróis são tratados como popstars na outra realidade e maravilhados com a arquitetura de Metrópolis.

De resto, o roteiro de Busiek é bem cuidado apesar de às vezes apelar para recursos com pouca imaginação para dividir a ação entre os dois grupos. De qualquer maneira o homem conseguiu criar uma história que tinha uma altíssima probabilidade de se tornar uma coisa absolutamente ridícula em um roteiro bem divertido. Eu nunca fui muito fã do George Perez, mas as páginas duplas com cenas de batalha altamente complexas dão um ar de ´Onde esta Wally?´ que é bem legal. – Aonde que o capitão América zuniu aquele escudo dele? Ah, ta aqui!. Também fica mais divertido quando você descobre que a quarta edição americana atrasou porque ele desenvolveu uma LER depois de desenhar as 3 primeiras edições.

05:11 PM | mais Hqs | Comente. (42)


19.12.03 // Reforço na Liga

Nerds deprimentes, fiquem espertos! O desenho animado da Liga da Justiça, que era bom no primeiro ano e está se revelando bom pra caramba no segundo vai receber reforços no vindouro terceiro ano da série. Já estão escalados para os roteiros o excelente J. M. deMatteis e o picareta Warren Ellis (à quem goste). Mais um ponto para Bruce Timm e sua equipe. O rapaz é o responsável pelas séries de animação que melhor traduziram o universo DC para outras mídias, na minha humilde opinião.

E se você, como este que vos fala, tem conexão rápida e pouca paciência para esperar os desenhos do segundo ano chegarem aqui, baixem os episódios na rede gnutella ou no kaaza. Recomendo enfaticamente: ´Twilight of the Gods´ e ´A Better World´. Esse último tem reflexos do Authority do Mark Millar e é até agora o melhor da segunda temporada.

11:11 AM | mais Hqs | Comente. (75)


11.12.03 // Tagline do ano

Os irmãos Wachowski criaram uma editora de quadrinhos, e depois de lançar uma série com spin offs do filme vão produzir duas séries originais feitas por dois quadrinistas que trabalharam nos storyboards (Steve Skroce) e no design de produção (Geoff Darow). O segundo é um desenhista absurdo, e tem um trabalho quase barroco de tão detalhista. O fato é que a série dele, a se chamar Shaolin Cowboy, tem a melhor tagline do ano até agora:

He has no past...
He has no future...
But he has plenty of ammunition!

ou:

Ele não tem passado...
Ele não tem futuro...
Mas ele tem munição pra caramba!

Não adianta, eu sou um fã incondicional de taglines e frases de efeito. Qualquer dia eu listo as minhas preferidas aqui.

11:09 AM | mais Hqs | Comente. (82)


26.11.03 // O enigma monetário do Detetive do Pesadelo

Dylan Dog, pronunciado como em Bob Dylan, é um detetive particular inglês, que se especializou em investigar casos mais esquisitos que o seu nome. Para isso ele conta com seu revolver de estimação, um fusca caindo aos pedaços e seu ajudante Groucho, que se parece, fala e age como o Irmão Marx de mesmo nome. O personagem foi criado em 1986 por Tiziano Sclavi e em pouco tempo a revista em quadrinhos se tornou o fumetti mais vendido na Itália. Não é difícil descobrir o porque.

Cada história do “Detetive do impossível” é o equilíbrio perfeito de um sofisticado humor negro, ação policial e uma saudável dose de cafajestagem italiana, com desenhistas ótimo na maioria das vezes. Outra constante é suas aventuras sempre referenciam um ou mais filmes clássicos de horror e os melhores giallos (como são chamados os filmes italianos do gênero), e prestando um pouco de atenção você pode reconhecer quase toda a obra de George Romero ou Roger Corman na fase da produtora Hammer. Até diretores mais jovens como Cronenberg já foram citados em uma história publicada recentemente no Brasil e que misturava “Videodrome” e “Rede de intrigas”.

Mas talvez o trunfo de Tiziano Sclavi seja o de não se levar a sério. O clima do mundo de Dylan Dog é de uma galhofa sem fim. Lembrete constante disso é Groucho, que em momento algum tem sua semelhança com o comediante explicada, e as relações amorosas do detetive, que em cada história obrigatoriamente arranja um novo caso que some misteriosamente antes da próxima edição.

E Dylan não ficou preso aos quadinhos. Em 1994 o diretor Michele Soavi, um dos poucos grandes cineastas italianos da atualidade, fez uma releitura do personagem para a tela grande chamada “Cemetery Man”. Nela o personagem não é um detetive e sim um coveiro chamado Francesco Dellamorte, e Groucho foi trocado por Curly, dos três patetas. O resultado é fantástico e fidelíssimo ao clima do Fumetti mas a fita é difícil de ser encontrada no Brasil (se eu não me engano a locadora Macedônia do Largo do Machado tem uma cópia e o nome da fita em português é "Pelo Amor e pela Morte"). A saída pra quem tem uma conexão dedicada é baixar o filme via Edonkey e similares. E existe um boato de que uma versão Hollywoodiana do personagem está sendo planejada.

Agora que você foi apresentado a essa fascinante criação literária, pense comigo e tente responder a pergunta:

Porque a editora Mythos cobra R$ 5,50 por uma revista em tamanho A5 impressa em papel jornal pior que o do “O Povo” enquanto a linha econômica da Panini que tem uma qualidadde gráfica infinitamente superior sai por R$ 2,50? Porcos capitalistas.

05:23 PM | mais Hqs | Comente. (63)