A parte da Direção de Arte
May 16th, 2007
Depois que o TT me mostrou as fotos da casa, tive que concordar com ele que deveríamos fazer um filme alí. Também estava impactada com Juventude em Marcha e louca para ver como seria um trabalho Direção de Arte para cenários tão minimalistas.
O desafio seria refrear os impulsos que fazem o diretor de arte querer muita cor e muito objeto. Evitar aquilo que chamamos de “direção de arte aparente”. Sabemos, é claro, que muitas vezes este trabalho pode e deve aparecer (vide Almodóvar, Wong Kar Way), mas em alguns filmes, fazer o espectador prestar muita atenção nisto, é um erro.
A beleza deste filme está na simplicidade. No vazio espacial. Poucos elementos no cenário e, estes poucos, dizendo uma coisa ou outra sobre que lugar é aquele. A luz diria mais e, novamente, a máxima do relacionamento fraterno entre as equipes de fotografia e arte deve ser levada muito a sério. Captei este espírito desde a primeira visita à locação, quando o roteiro ainda não existia.
Observar espaços vazios e inabitados foi a minha primeira tarefa. Como envelhecem as casas do interior do sudoeste? Nascida numa terra onde até a manteiga é mais amarela, precisei esmaecer as cores da minha cabeça, pensar no frio, na vegetação local, nas necessidades de quem vive longe das maiores capitais do Brasil.
A locação ajudou. Mas é preciso mais. A câmera não enxerga igual ao olho e por isso, é preciso emulsificar uns detalhes e apagar outros. A casa do caseiro dos pais do diretor precisa se transformar no cárcere e, posteriormente, na casa de Jardel.
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